Quando sua posição mudou, mas seu entorno ainda não percebeu


Há mudanças profissionais que acontecem primeiro no currículo e só depois na percepção das pessoas.
Você foi promovido.
Assumiu uma posição mais estratégica, deixou de executar determinadas tarefas, começou a liderar pessoas ou passou a atender clientes de outro nível.
Para você, a mudança é clara.
Mas, nas relações profissionais, algumas pessoas continuam recorrendo a você da mesma maneira.
Pedem sua opinião sobre detalhes que já não deveriam estar sob sua responsabilidade.
Esperam que você resolva problemas que agora deveria delegar. Continuam apresentando você a partir daquilo que fazia antes.
Não significa necessariamente que não reconheçam sua nova posição.
É possível que simplesmente ainda não tenham elementos suficientes para reorganizar a percepção que construíram ao longo do tempo.
Percepções profissionais não são atualizadas por decreto.
Um novo cargo informa que alguma coisa mudou. Mas são as experiências seguintes que ajudam as pessoas a compreender como você mudou.
Às vezes, o próprio profissional continua repetindo comportamentos associados à posição anterior.
Assume tarefas que já poderia delegar, responde a tudo imediatamente, continua sendo a principal pessoa a solucionar problemas, explica excessivamente suas decisões. Mantém a mesma forma de participar das reuniões.
Não porque não tenha mudado, mas porque antigos comportamentos podem continuar funcionando como sinais de uma posição que já não corresponde ao lugar que ocupa.
É nesse ponto que uma mudança de carreira pode produzir uma situação paradoxal:
o profissional conquistou uma nova posição, mas ainda oferece ao ambiente parte dos sinais da posição anterior.
Isso não significa representar um personagem ou abandonar características que fazem parte de sua maneira de trabalhar.
Significa perceber que posições diferentes exigem, muitas vezes, formas diferentes de ser percebido.
Um profissional que passa a liderar, por exemplo, não precisa necessariamente falar mais.
Pode precisar decidir de outra maneira.
Um especialista que deixa de atuar apenas na execução pode não precisar demonstrar mais conhecimento.
Pode precisar deixar mais claro onde sua capacidade de análise começa a gerar valor.
Uma empresa que cresceu pode continuar oferecendo um serviço excelente e, ainda assim, ser percebida segundo a lógica do negócio que existia alguns anos antes.
O desafio, portanto, não é apenas mudar.
É fazer com que a mudança de posição profissional se torne legível para quem precisa reconhecê-la.
Talvez seja essa uma das partes menos visíveis do crescimento profissional:
a posição que você ocupa e a posição que os outros conseguem enxergar nem sempre avançam na mesma velocidade.
E quando existe essa diferença, vale olhar menos para o que mudou formalmente e mais para uma pergunta:
Na experiência que as pessoas têm comigo hoje, o que mostra que meu lugar mudou?
Confira também o artigo sobre: Você sabe qual impressão causa nas pessoas?
Um abraço e até breve,
Aline Kilian | Especialista em Posicionamento Profissional | Criadora do Método Percepção Estratégica®



Comentários