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Quando o cliente começa a definir como você deve trabalhar

  • Foto do escritor: Aline Kilian Especialista em Posicionamento Profissional
    Aline Kilian Especialista em Posicionamento Profissional
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Empresário em reunião profissional com cliente em ambiente corporativo
Posicionamento também se manifesta na forma como conduzimos nossas relações profissionais.

No início de uma relação comercial, é natural querer atender bem.

Você escuta o cliente, entende suas necessidades, adapta alguns detalhes e procura encontrar a melhor forma de entregar o que foi contratado.


Existe, porém, um momento em que a flexibilidade pode mudar de natureza.


O cliente começa a pedir alterações que não estavam previstas, depois, uma nova exceção.


Mais uma mudança no processo, um prazo diferente. Uma forma de entrega que não corresponde ao seu modelo de trabalho.


E, pouco a pouco, aquilo que começou como uma adaptação pontual passa a determinar como você trabalha.


É nesse momento que uma relação comercial pode começar a mudar sem que ninguém perceba exatamente quando isso aconteceu.


Atender bem não significa ceder sempre


Existe uma diferença importante entre compreender a necessidade de um cliente e reorganizar constantemente o seu trabalho em função dela.


A primeira demonstra capacidade de escuta. A segunda pode indicar que os limites da relação ainda não estão claros.


Isso é particularmente delicado para profissionais que conhecem profundamente o próprio trabalho, mas têm receio de parecer inflexíveis.


Eles aceitam uma condição que não consideram adequada. antecipam uma demanda que nem sequer foi combinada, alteram o processo para evitar um desconforto.


Muitas vezes fazem concessões  porque valorizam a relação e querem entregar uma boa experiência.


O problema aparece quando a exceção vira regra.


A relação também é construída pelas expectativas


Toda relação profissional cria expectativas sobre o que cada lado pode solicitar, negociar e esperar.


Essas expectativas não são formadas apenas pelo contrato, mas por experiências acumuladas durante a relação.


O que para o profissional foi uma concessão pontual pode se transformar, para o cliente, em uma nova referência.


É assim que pequenas decisões podem alterar a dinâmica de uma relação comercial.


O problema não está em ceder


Há situações em que uma adaptação faz sentido, fortalece a relação ou atende a uma necessidade legítima do cliente.


O ponto não é eliminar a flexibilidade, mas perceber quem está definindo a lógica da relação.


Quando todas as adaptações partem de uma única direção, a negociação deixa de ser uma construção entre duas partes e começa a se transformar em uma sequência de ajustes feitos pelo profissional.


Nesse cenário, o cliente não precisa necessariamente estar tentando ultrapassar nenhum limite.


Ele simplesmente passa a trabalhar dentro dos limites que foram apresentados a ele.


E esses limites são definidos pelo comportamento.


É comum pensar em posicionamento profissional como aquilo que comunicamos: o que dizemos, como nos apresentamos, como demonstramos nossa experiência.


Mas posicionamento também se constrói  nas decisões que tomamos dentro das relações, no que negociamos, no que preservamos, no que adaptamos e também no que decidimos não oferecer.


Um profissional pode comunicar excelência e, ao mesmo tempo, construir uma relação na qual tudo parece negociável.


Pode falar sobre seu método e permitir que cada cliente determine como ele será aplicado.


Pode defender a qualidade do próprio trabalho e, diante de uma solicitação inesperada, abandonar justamente os critérios que sustentam essa qualidade.


Não existe necessariamente contradição na intenção.


Mas existe uma mensagem sendo construída pela experiência da relação.


Quando a flexibilidade começa a enfraquecer o próprio trabalho


Um dos sinais mais importantes talvez seja quando o profissional começa a sentir que precisa administrar constantemente as expectativas do cliente para preservar a relação.


E o trabalho, que deveria ter uma estrutura clara, começa a ser moldado caso a caso.


Nesse ponto, a questão deixa de ser apenas operacional.


Ela passa a envolver o próprio lugar que o profissional ocupa naquela relação.


Porque quando alguém define repetidamente como você deve trabalhar, também começa a participar da definição do seu serviço.


E isso pode ter consequências que vão muito além daquele cliente específico.


O cliente não precisa de um profissional inflexível


Um posicionamento consistente não significa dizer “não” a tudo.


Significa saber distinguir entre adaptação e descaracterização.


Entre atender uma necessidade legítima e abandonar a estrutura que sustenta seu trabalho.


Entre negociar condições e permitir que a relação seja conduzida exclusivamente pelas demandas do outro.


Essa distinção exige mais do que firmeza.


Exige clareza sobre o que você oferece, por que oferece dessa maneira e quais elementos não deveriam ser alterados sem comprometer a qualidade da entrega.


A forma como você conduz uma relação também comunica o lugar que ocupa dentro dela.


Posicionamento profissional também é saber até onde você adapta o seu trabalho sem abrir mão daquilo que sustenta o seu valor.



Um abraço e até breve,

Aline Kilian | Especialista em Posicionamento Profissional | Criadora do Método Percepção Estratégica® (M.P.E.)


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Aline Kilian | Especialista em Posicionamento Profissional
Criadora do Método Percepção Estratégica® (M.P.E.) - Os 
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